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Com a reforma tributária, a carga tributária sobe para quanto? Entenda os números

Imagem mostra mulher segurando seta para cima, para mostrar o aumento de tributação com a reforma tributária

Com a reforma tributária, a carga tributária sobe para quanto?

Essa tem sido a grande dúvida de 10 entre 10 empresários que estão preocupados em como a reforma vai impactar seus negócios

A resposta oficial do Ministério da Fazenda é clara: a carga tributária média deve ficar em torno de 28%

Isso faz do Brasil o país com o maior Imposto sobre Valor Agregado (IVA) do mundo, ultrapassando até mesmo a Hungria, que cobra 27%.

Mas calma. Isso não significa que toda empresa vai pagar 28% de imposto. 

O impacto real depende do seu setor, regime tributário e estrutura do negócio. Algumas empresas vão pagar menos, outras vão pagar mais.

A seguir você vai entender os números oficiais da reforma, descobrir se sua empresa será beneficiada ou prejudicada, e saber exatamente o que fazer para se preparar.

A reforma tributária aumenta a carga tributária das empresas?

Depende do seu setor e regime tributário. 

A reforma cria o IVA Dual, formado por dois novos tributos que vão substituir cinco impostos atuais: 

  1. CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que é federal e substitui PIS, Cofins e IPI;
  2. IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que é estadual e municipal e substitui ICMS e ISS.

A alíquota de referência inicialmente prevista era de 26,5%, com uma trava para impedir que ultrapassasse esse limite. 

Porém, as estimativas oficiais do secretário Bernard Appy, do Ministério da Fazenda, apontam que a alíquota real deve ficar em torno de 28%.

Leia mais: Como fica o ICMS com a reforma tributária?

Quais setores podem ter a carga tributária diminuída pela reforma?

Embora a alíquota padrão do novo IVA deva ficar entre 26,5% e 28%, a reforma criou uma série de exceções para setores considerados essenciais ou socialmente sensíveis.

Veja quem tende a se beneficiar.

Alíquota zero na cesta básica

Os produtos que compõem a cesta básica nacional terão alíquota zero de IBS e CBS.

A lista definitiva ainda será regulamentada por lei complementar, mas a proposta inclui alimentos essenciais como arroz, feijão, leite, carnes, pão francês, óleo de soja, farinha de trigo e de mandioca, entre outros itens de consumo básico.

É o maior conjunto de desoneração sobre alimentos já criado no sistema tributário brasileiro.

Redução de 60% na alíquota

Alguns setores terão redução de 60% sobre a alíquota padrão do IVA.

Entram nesse grupo, entre outros:

Nesses casos, a carga efetiva tende a ficar próxima de 10% a 11%, em vez da alíquota cheia.

Outros mecanismos de alívio

A reforma também criou instrumentos indiretos de redução de carga:

Fora desses grupos, a tendência é de aumento de carga para grande parte dos serviços, em especial negócios com pouca geração de créditos, como prestadores de serviços gerais, plataformas digitais, infoprodutores e empresas intensivas em mão de obra.

Leia mais: O que muda com a reforma tributária em 2026?

Quanto a minha empresa vai pagar a mais de impostos com a reforma tributária?

O impacto varia bastante conforme o regime tributário e o setor da sua empresa. Vamos analisar os principais cenários.

Simples Nacional

Se você é MEI ou microempresa no Simples, o regime continua existindo e as alíquotas do DAS não mudam de forma imediata em 2026.

Porém, já a partir do início da transição sua empresa passa a conviver com o novo sistema de IBS e CBS, o que pode afetar a geração de créditos para seus clientes e a competitividade em alguns mercados.

A obrigatoriedade de destaque de IBS e CBS nas notas fiscais começa em 2027. Até lá, a migração para o novo modelo é facultativa, mas a decisão passa a ser estratégica.

Leia mais: O que muda no Simples Nacional com a reforma tributária?

Lucro Presumido

No Lucro Presumido, o cenário exige atenção.

A reforma não altera diretamente as alíquotas de IRPJ e CSLL, mas a Lei Complementar nº 224/2025 revisou diversos benefícios fiscais, reduziu incentivos e restringiu regimes especiais.

Com isso, muitas empresas do Presumido podem sentir aumento de carga indireto, seja pela perda de benefícios, seja pela mudança no equilíbrio entre Presumido e o novo IVA.

Além disso, houve aumento de tributação no Lucro Presumido a partir de 2026.

Empresas de serviços, com pouca geração de créditos e margens elevadas, tendem a ser as mais impactadas.

Lucro Real

No Lucro Real, o efeito depende muito do setor.

Empresas de serviços com poucos insumos tributáveis, negócios digitais como infoprodutores, afiliados, plataformas e empresas intensivas em mão de obra tendem a pagar mais com o novo modelo.

Por outro lado, indústrias com cadeia produtiva longa, empresas que geram muitos créditos e setores beneficiados com alíquota zero ou redução, como alimentos da cesta básica, saúde e educação, podem ter redução relevante de carga.

Além da reforma do consumo, a LC 224/2025 também:

Por isso, a pergunta não é quanto o sistema vai mudar, mas quanto a sua empresa vai pagar a mais ou a menos.

Sem uma simulação tributária específica, qualquer resposta genérica corre o risco de estar errada.

Existe alguma forma de pagar menos de 26,5% de impostos na reforma tributária?

Existe um mecanismo chamado informalmente de “trava de alíquota”, mas ele não funciona como um benefício para empresas nem permite escolher uma carga menor.

Trata-se de um limite institucional para controlar a alíquota padrão do novo IVA, que só passa a valer após o fim da transição, a partir de 2031.

Durante a tramitação da reforma, foi criado um gatilho constitucional: se a alíquota de referência do IBS e da CBS superar 26,5% ao final da transição, o governo será obrigado a enviar um Projeto de Lei Complementar ao Congresso propondo medidas para reduzir essa alíquota.

O principal instrumento previsto é o corte de benefícios fiscais e de regimes especiais.

Como funciona essa trava na prática

A apuração da alíquota de referência ocorre ao final de 2030.

Caso o percentual fique acima de 26,5%, o governo tem até 90 dias para apresentar um projeto com medidas de ajuste.

Como qualquer mudança tributária, os efeitos só passam a valer no exercício seguinte. Assim, eventuais reduções só entrariam em vigor a partir de 2032.

Isso não significa que a alíquota será automaticamente reduzida para 26,5%. 

Significa apenas que o governo terá obrigação formal de propor cortes de benefícios para tentar alcançar esse patamar.

O relator da reforma no Senado, Eduardo Braga, defende que a alíquota efetiva pode ficar abaixo desse nível se houver redução relevante da sonegação e das disputas judiciais, já que o novo sistema tende a ser mais transparente e com menos brechas.

Mas, até aqui, isso é uma expectativa. Não existe garantia legal de que a carga final ficará abaixo de 26,5%.

Como funciona a transição da carga tributária entre 2026 e 2033?

A implementação da reforma será gradual, e entender o cronograma é fundamental para se planejar:

2026: ano de testes

Em 2026 começa a fase experimental. As empresas, com exceção do Simples Nacional, passam a destacar alíquotas simbólicas de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS nas notas fiscais.

Os tributos atuais continuam sendo pagos normalmente.

Esses valores geram créditos que compensam o que já é recolhido de PIS e Cofins, de forma que não há aumento efetivo de carga nesse primeiro ano.

2027: início da cobrança real

Em 2027, o PIS e a Cofins são extintos e a CBS passa a valer de forma definitiva.

O IPI é praticamente zerado, permanecendo apenas como instrumento para preservar o modelo da Zona Franca de Manaus.

Nesse mesmo ano entra em vigor o Imposto Seletivo, conhecido como “imposto do pecado”, aplicado sobre produtos como cigarros, bebidas alcoólicas e itens prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

As empresas do Simples Nacional continuam no regime, mas passam a conviver com o novo sistema, com impacto na geração de créditos e na competitividade em algumas operações.

De 2029 a 2032: transição do IBS

A partir de 2029 começa a fase mais complexa da reforma.

O ICMS e o ISS passam a ser reduzidos gradualmente, enquanto o IBS é implantado de forma progressiva. 

Também se inicia a migração da arrecadação do critério de origem para o critério de destino.

A redistribuição completa da arrecadação entre estados e municípios será feita ao longo de um período de até 50 anos, com conclusão prevista apenas para 2078, para evitar desequilíbrios fiscais entre os entes federativos.

2032: ano de ajuste da alíquota

Em 2032 ocorre a apuração da alíquota de referência do novo sistema.

Se esse percentual ultrapassar 26,5%, o governo será obrigado a apresentar um projeto de lei propondo cortes de benefícios fiscais e regimes especiais para tentar reduzir a carga.

Esse também é o último ano da fase principal de transição.

2033: sistema plenamente implantado

A partir de 2033, o ICMS e o ISS são extintos definitivamente.

O IVA Dual, formado por IBS e CBS, passa a funcionar de forma integral em todo o país.

O que minha empresa precisa fazer para se preparar para a reforma tributária em 2026?

A fase de transição da reforma começa em janeiro de 2026. Para muitas empresas, esse já é o momento mais crítico de preparação.

Veja a checklist de ações que precisam estar no radar desde agora.

1) Atualize seus sistemas de emissão de notas fiscais

A partir de janeiro de 2026, as empresas fora do Simples Nacional passam a destacar nas notas fiscais os novos campos de CBS (0,9%) e IBS (0,1%), ainda em caráter experimental.

Se o seu sistema não estiver atualizado, você terá dificuldade para emitir documentos fiscais corretamente, o que pode gerar rejeições, atrasos no faturamento e problemas com seus clientes.

2) Revise a classificação fiscal da sua empresa

Erros de NCM ou de CNAE passam a ter impacto ainda maior no novo modelo.

Um enquadramento incorreto pode fazer você perder créditos, pagar alíquotas indevidas ou deixar de acessar reduções previstas para determinados setores. 

3) Prepare o fluxo de caixa para o novo modelo de recolhimento

Ao longo da transição, o sistema caminhará para modelos de recolhimento cada vez mais próximos do chamado split payment, em que o imposto é separado automaticamente no momento do pagamento.

Isso reduz o risco de inadimplência, mas também muda completamente a dinâmica de capital de giro de muitas empresas.

4) Revise contratos com fornecedores e clientes

Cláusulas de repasse tributário, reajustes automáticos e formação de preço precisam ser adaptadas ao novo sistema.

Quem não revisar contratos agora corre o risco de descobrir em 2027 que está absorvendo impostos que deveriam ser repassados, ou repassando valores que não são mais devidos.

5) Faça um diagnóstico tributário completo

Só uma análise detalhada da sua empresa permite responder às perguntas que realmente importam:

A transição começa em 2026, mas os impactos mais fortes chegam a partir de 2027 e se estendem até 2033.

Como a Tactus pode ajudar sua empresa a pagar menos impostos com a reforma tributária

A reforma tributária muda a forma de apurar impostos e reorganiza prazos, créditos e regras de formação de preço, e como cada empresa será afetada depende do setor, do regime e da estrutura da operação. 

Para entender esse impacto antes que a transição avance, o caminho é fazer um diagnóstico tributário com base na sua realidade

Se você quer avaliar sua situação e decidir com mais segurança os próximos passos, agende um diagnóstico com um especialista da Tactus.

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