Ícone do site Contabilidade Digital | Tactus

Reforma tributária e Simples Nacional: o que muda em 2026 e 2027

Empresário com dúvida querendo entender como fica o Simples Nacional com a reforma tributária

A reforma tributária e o Simples Nacional são dois assuntos que andam juntos nas conversas de qualquer empresário neste momento. 

Você certamente já ouviu que algo vai mudar, que os impostos vão aumentar ou até mesmo que este regime não vai mais existir.

A realidade é menos sombria do que parece num primeiro momento, mas exige atenção. 

As mudanças são reais, graduais, e algumas delas afetam diretamente a forma como você vai competir no mercado nos próximos anos.

Por isso, vamos ajudar você a entender o que muda no Simples Nacional como a reforma tributária e como se preparar em 2026 para as mudanças que começam em 2027.

O Simples Nacional vai acabar com a reforma tributária?

Não. O Simples Nacional não vai acabar.

A Emenda Constitucional 132/2023 e a Lei Complementar 214/2025 preservaram o regime. 

O recolhimento unificado continua e a lógica de simplificação para micro e pequenas empresas foi mantida.

O que muda é como os novos tributos, o IBS e a CBS, vão se encaixar nessa estrutura e quais são as consequências estratégicas disso para cada tipo de negócio.

O que são IBS e CBS?

IBS e CBS são os dois novos tributos criados pela reforma tributária. Juntos, eles formam o chamado IVA Dual, modelo de tributação usado na maioria dos países desenvolvidos.

Os dois funcionam pelo princípio da não cumulatividade plena, em que cada empresa paga imposto só sobre o valor que agregou ao produto ou serviço, e o imposto pago na etapa anterior gera crédito para a etapa seguinte.

Esse mecanismo de crédito é justamente o que cria as principais implicações para quem está no Simples Nacional, como você vai entender a seguir.

Leia mais: Com a reforma tributária, o imposto sobe para quanto?

O que muda no Simples Nacional com a reforma tributária?

Essas são as principais mudanças que a reforma tributária traz para o Simples Nacional:

1) Empresas do Simples não estão obrigadas a participar da fase de testes em 2026

Empresas do Simples Nacional, incluindo MEIs, estão dispensadas de destacar IBS e CBS nas notas fiscais durante 2026.

Enquanto empresas do Lucro Real e Presumido já estão adaptando sistemas neste ano com alíquotas simbólicas de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, para o Simples essa obrigação só começa em 2027.

2) A partir de 2027, IBS e CBS entram na nota fiscal do Simples

Com a extinção do PIS e Cofins em 2027 e o início da CBS efetiva, as empresas do Simples passam a destacar os novos tributos nos documentos fiscais.

O recolhimento continua unificado no DAS, mas a composição interna da guia muda progressivamente até 2033, conforme o IBS e a CBS substituem o ICMS e o ISS dentro do regime.

3) Você pode escolher recolher IBS e CBS fora do DAS

A LC 214/2025 criou o que ficou conhecido como Simples Híbrido: a possibilidade de manter os demais tributos dentro do DAS e recolher apenas o IBS e a CBS pelo regime regular, com direito a crédito fiscal integral para o comprador.

A opção é semestral e irrevogável para cada período. 

Faz sentido principalmente para quem vende para outras empresas e precisa gerar crédito para o cliente.

4) Quem vende para outras empresas pode perder competitividade

Esse é o ponto mais crítico da reforma para empresas do Simples.

No regime unificado padrão, o crédito que o seu cliente pessoa jurídica consegue aproveitar é limitado ao que foi pago dentro do DAS, não o crédito integral do IBS e CBS. 

Para empresas no Lucro Real ou Presumido, comprar de um fornecedor que gera crédito cheio é financeiramente mais vantajoso.

Na prática, grandes compradores podem começar a preferir fornecedores fora do Simples para reduzir seus custos tributários. 

A saída para quem está nesse perfil é o Simples Híbrido e recolher o IBS e a CBS fora do DAS, pelo regime regular, gerando crédito integral para o comprador. 

Você mantém os demais tributos no Simples e passa a competir em pé de igualdade com fornecedores de outros regimes. 

A decisão exige simulação, porque o Simples Híbrido aumenta a complexidade operacional e nem sempre compensa dependendo da sua estrutura de custos.

5) O setor de serviços é o mais exposto

Hoje o ISS varia entre 2% e 5%. 

Com a implementação plena do IBS a partir de 2029, a alíquota sobre serviços converge para a alíquota geral do IVA, fixada em 26,5% pela LC 214/2025, com estimativas do governo que podem chegar a 28%.

Para mitigar o impacto sobre algumas categorias, profissionais de áreas intelectuais e científicas regulamentadas por conselhos — como advogados, engenheiros e arquitetos — têm direito a uma redução de 30% na alíquota. 

Mesmo com esse desconto, a carga aumenta significativamente em relação ao ISS atual.

Para prestadores de serviço que atendem consumidor final, o impacto é amortecido pelo regime do Simples, que preserva a alíquota total unificada. 

Para quem atende principalmente outras empresas, uma simulação com seu contador é urgente.

6) O prazo de opção pelo Simples muda a partir de 2027

Hoje a adesão ao Simples é feita até o último dia útil de janeiro do ano em que vai valer.

Com a reforma, o prazo passa a ser o último dia útil de setembro do ano anterior, com efeito no exercício seguinte. 

Quem perder esse prazo precisa aguardar mais um ano para aderir.

Leia mais: O que muda com a reforma tributária em 2026?

Como fica o cronograma de transição para a reforma tributária até 2033?

A transição é gradual e foi desenhada para não provocar impacto brusco nas empresas. Veja como fica o calendário:

O Split Payment vai impactar o fluxo de caixa de quem está no Simples?

O Split Payment da reforma tributária é um dos mecanismos mais relevantes das mudanças, pois alterar a forma como o dinheiro entra na conta da empresa.

Hoje você recebe o valor cheio da venda e paga os impostos depois, na guia mensal. 

Com o Split Payment, o banco separa automaticamente o valor do tributo no momento do pagamento e repassa direto ao governo. 

Você recebe apenas o valor líquido.

Para quem está no Simples padrão e recolhe tudo pelo DAS, o Split Payment não se aplica. O recolhimento continua sendo via guia mensal.

Já quem optar pelo Simples Híbrido, recolhendo IBS e CBS por fora do DAS, estará sujeito ao Split Payment a partir de 2027. 

Quais os principais impactos do split payment para quem optar pelo chamado Simples Híbrido?

São dois impactos principais:

  1. Fim do “float” tributário. Muitos empresários usam o intervalo entre a venda e o vencimento do imposto como capital de giro. Com o Split Payment, esse intervalo desaparece nas operações no regime regular.
  2. Vendas parceladas ficam mais complexas. O imposto é retido parcela a parcela, enquanto você ainda não recebeu o valor total da venda.

Se você está avaliando o Simples Híbrido, conversar com seu contador sobre o impacto no fluxo de caixa é parte obrigatória da decisão.

Produtos da cesta básica vendidos por empresas do Simples terão alíquota zero de IBS e CBS?

A LC 214/2025 prevê alíquota zero de IBS e CBS para os 15 itens da Cesta Básica Nacional: arroz, feijão, leite, pão francês, carnes bovina, suína e de aves, entre outros. 

Frutas e óleos terão redução de 60%.

O detalhe importante para quem está no Simples é este:

Para negócios que comercializam itens da cesta básica, essa simulação com o contador pode mostrar uma vantagem concreta no Simples Híbrido.

Se eu optar pelo Simples Híbrido e me arrepender, posso voltar ao modelo unificado no mesmo ano?

Não. A opção pelo Simples Híbrido é irrevogável para o período semestral em que foi feita.

Só é possível reverter na próxima janela de opção, que ocorre em setembro, para o semestre seguinte.

Isso torna a decisão especialmente delicada. 

Uma simulação mal feita, ou uma decisão tomada às pressas sem análise completa, pode travar a empresa num regime menos vantajoso por até seis meses.

Uma empresa do Simples que vende para o exterior é afetada da mesma forma pela reforma tributária?

Não. As exportações têm alíquota zero de IBS e CBS, independentemente do regime tributário da empresa.

Isso significa que empresas do Simples que exportam não enfrentam o problema da competitividade por crédito, já que nas operações com o exterior não há IBS e CBS a destacar.

Além disso, a reforma garante a manutenção dos créditos acumulados nas etapas anteriores da produção para exportadores. 

Empresas que optarem pelo Simples Híbrido e tiverem alto volume de insumos podem se beneficiar desse acúmulo de créditos para uso em outras operações.

O Imposto Seletivo afeta empresas do Simples?

Sim, mas apenas para quem opera nos setores específicos que o Imposto Seletivo abrange.

O IS, popularmente chamado de “imposto do pecado”, incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente: cigarros, bebidas alcoólicas, combustíveis fósseis, veículos, entre outros.

Pontos importantes:

Com a reforma, ainda vale a pena abrir empresa no Simples Nacional?

Para a maioria dos perfis, sim. O Simples Nacional vale a pena pois continua sendo o regime mais simples operacionalmente e mais competitivo para quem vende para o consumidor final.

A análise muda quando você se enquadra em um desses cenários:

Como a reforma tributária afeta a precificação de quem está no Simples?

O impacto na precificação depende do caminho que você escolher.

Para quem fica no Simples padrão, a precificação muda pouco no curto prazo. 

A carga tributária dentro do DAS não se altera de forma imediata. 

O risco está em não ajustar as margens quando IBS e CBS passarem a compor a nota a partir de 2027, e em não considerar a possível perda de clientes B2B que preferirão fornecedores que geram crédito integral.

Para quem opta pelo Simples Híbrido, a precificação fica mais complexa. 

O IBS e a CBS passam a ser calculados por fora, sobre o valor total da operação. 

Você precisa saber exatamente o que está incluindo no preço, o que está destacando na nota e qual crédito está gerando para o cliente.

Leia mais: Como funciona a nova nota fiscal da reforma tributária

O que preciso fazer em 2026 para preparar minha empresa do Simples para a reforma?

2026 é o ano mais tranquilo que você vai ter. Use bem esse tempo.

  1. Entenda o perfil dos seus clientes. A maioria das suas vendas vai para pessoas físicas ou para outras empresas? Essa resposta define se o Simples Híbrido faz ou não sentido para o seu negócio. 
  2. Peça uma simulação tributária ao seu contador. Com os dados da sua operação atual, um bom contador já consegue projetar como vai ficar a sua carga tributária a partir de 2027, com e sem a opção pelo Simples Híbrido. Essa simulação é o ponto de partida para qualquer decisão.
  3. Mapeie seus fornecedores. Entenda quais dos seus principais fornecedores estão no Simples e quais estão no regime regular. A partir de 2027, comprar de fornecedores que geram crédito integral pode reduzir seus custos. Esse mapeamento vai ser valioso na hora de renegociar contratos.
  4. Avalie seu sistema de gestão. Se você ainda não usa um sistema que integra nota fiscal, financeiro e contabilidade, esse é o momento de resolver isso. A partir de 2027, a complexidade das obrigações acessórias aumenta, e controlar tudo em planilha ou caderno vai se tornar inviável.
  5. Acompanhe o prazo de adesão ao Simples. Lembre que a partir de 2027 o prazo de opção pelo Simples passa a ser em setembro do ano anterior. Se você abrir uma empresa em 2026 ou quiser aderir ao regime para 2027, fique atento a essa mudança.
  6. Não tome decisões precipitadas. A maior armadilha de 2026 é o pânico. A reforma é real, mas gradual. Mudar de regime sem simulação, contratar consultorias caras por impulso ou repassar custos fictícios para os preços são erros que podem ser evitados com calma e informação de qualidade.

Como a Tactus ajuda sua empresa a entender se o Simples ainda vale a pena com a reforma

Essa é a pergunta que mais recebemos de empresários neste momento. E tudo depende do seu negócio específico.

Na Tactus, temos especialistas tributários preparados para entender o seu perfil específico, analisar o cenário da sua empresa e oferecer um diagnóstico personalizado.

Entre em contato e solicite uma reunião de diagnóstico.

Sair da versão mobile