A reforma tributária para médicos é um assunto cercado de informação solta, parte vinda de quem não conhece a particularidade do setor de saúde.
Muito do que circula serve para o comércio ou para a indústria e não descreve o que de fato atinge consultas, procedimentos e exames.
Na Tactus, a nossa área contábil especializada em médicos recebe essa pergunta toda semana.
Boa parte do receio vem de regra que nem se aplica à medicina, e algumas mudanças importantes passam despercebidas justamente por quem deveria estar atento a elas.
A reforma tributária aumenta o imposto que os médicos pagam?
Depende do regime em que a sua PJ está hoje, e para a maioria dos médicos o aumento é menor do que o noticiário sugere.
O médico no Lucro Presumido é quem mais sente a transição, porque os tributos que ele recolhe hoje passam a ser substituídos pelo IBS e pelo CBS.
No Simples Nacional para médicos essa substituição também acontece, mas por dentro da guia única, e o médico ganha a opção de recolher o IBS e o CBS por fora quando quiser repassar crédito a quem contrata o serviço.
O fator que muda o jogo para o setor é o desconto de 60% que a saúde recebe na alíquota nova.
Serviço médico não entra na carga cheia que se aplica ao comércio em geral. Esse desconto é o que segura a conta da medicina e impede o salto que muita gente teme.
O que muda para o médico com a criação do IBS e do CBS?
O IBS e o CBS reúnem num só lugar cinco impostos que hoje você paga separados: PIS, Cofins, ISS, ICMS e IPI.
Para a medicina, o que conta são o PIS, a Cofins e o ISS, que incidem sobre a consulta e o procedimento.
A mudança que mexe com o seu bolso está no crédito. Hoje você paga esses impostos e não recupera nada.
No modelo novo, fora do Simples, o que a empresa gasta para operar, aluguel da sala, equipamento, material e software, gera crédito que abate parte do imposto a pagar.
A segunda mudança está na nota fiscal. O imposto passa a sair destacado, e a clínica, o hospital ou o plano que contrata você pode usar esse valor como crédito dele.
Isso entra na negociação de preço com quem te contrata e pode deixar o seu serviço mais ou menos competitivo conforme o regime que você escolher.
É verdade que os serviços médicos têm redução de 60% na alíquota da reforma tributária?
Sim, os serviços médicos têm redução de 60% na alíquota do IBS e do CBS.
A Lei Complementar 214/2025, nos artigos 128 a 134, colocou a saúde entre as atividades com alíquota reduzida.
Entram no desconto:
- Consultas, atendimentos e procedimentos médicos;
- Serviços hospitalares e ambulatoriais, incluindo internações;
- Exames laboratoriais e de diagnóstico;
- Dispositivos médicos e produtos para a saúde, conforme lista que o governo revisa de tempos em tempos.
O desconto incide sobre a alíquota, não sobre o seu faturamento.
A alíquota de referência estimada para o modelo novo está em torno de 26,5%. Com o corte de 60%, a alíquota que recai sobre o serviço médico cai para perto de 10,5%.
Esse percentual é maior do que o que você recolhe hoje de PIS, Cofins e ISS, que somados costumam ficar entre 5% e 8,5% da receita conforme o município.
O que equilibra a conta é o crédito sobre as despesas da empresa, que no modelo atual não existe.
Por isso a comparação só fecha com os seus números reais de faturamento e de despesa, dentro de uma simulação.
Médico no Simples Nacional precisa mudar alguma coisa com a reforma tributária?
Médico no Simples Nacional continua com a guia única, no mesmo formato de pagamento de hoje. O regime não acaba com a reforma.
A mudança que importa é uma escolha nova: manter o IBS e o CBS por dentro da guia única, do jeito simplificado de sempre, ou passar a recolher esses dois impostos por fora dela, para repassar crédito a quem contrata o seu serviço.
Por dentro da guia, você carrega menos burocracia, mas a clínica ou o hospital que te contrata aproveita pouco crédito sobre o que paga a você.
Por fora, no que está sendo chamado de “Simples Híbrido”, o seu serviço fica mais competitivo para esse tipo de tomador, ao custo de uma apuração mais trabalhosa.
A escolha tem prazo definido e depende de quem é o seu cliente, o paciente particular que paga do próprio bolso ou a clínica e o plano que descontam crédito.
Ainda vale a pena o médico continuar no Simples Nacional depois da reforma tributária?
Continuar no Simples Nacional ainda vale a pena para boa parte dos médicos, e a resposta depende de quem paga pelo seu serviço.
Quando o seu cliente é pessoa física, o paciente que atende no consultório particular, ele não aproveita crédito de imposto.
O Simples segue como a opção mais econômica, porque a guia única continua concentrando tudo num pagamento simples e barato.
Quando você atende clínica, hospital ou operadora de plano que recolhe imposto pelo modelo novo, a conta muda.
Essas empresas querem descontar crédito sobre o que pagam a você, e o Simples na forma tradicional não gera esse crédito.
Nesse caso, recolher o IBS e o CBS por fora pode deixar o seu serviço mais competitivo.
De todo modo, não dá para cravar nada sem analisar seus números reais de faturamento e o perfil dos seus tomadores, dentro de uma simulação feita pela contabilidade antes do prazo de opção.
Como fica o médico no Lucro Presumido com a reforma tributária?
O médico no Lucro Presumido é quem mais sente a mudança operacional, porque os tributos que ele recolhe hoje vão sendo substituídos pelo IBS e pelo CBS ao longo da transição.
A carga sobre o serviço médico não dispara, porque a redução de 60% da saúde também se aplica a quem está nesse regime.
O percentual que recai sobre a consulta e o procedimento segue na faixa reduzida, perto de 10,5%, e não na alíquota cheia.
O ganho do Lucro Presumido no modelo novo é o crédito sobre as despesas da empresa.
Aluguel do consultório, equipamento, material e serviços contratados pela PJ passam a gerar crédito que abate parte do imposto a pagar.
Para o médico com estrutura própria e despesa relevante, esse abatimento ajuda a equilibrar a conta.
O médico autônomo, sem CNPJ, também é afetado pela reforma tributária?
O médico autônomo, que atende como pessoa física e recolhe o carnê-leão, é afetado de forma indireta pela reforma tributária.
O IBS e o CBS incidem sobre o consumo, sobre o serviço prestado pela empresa.
O médico sem CNPJ continua tributado pela tabela do imposto de renda da pessoa física, que pode chegar a 27,5% sobre o rendimento, somada à contribuição previdenciária.
A reforma do consumo não reduz essa carga.
O contraste com a PJ fica mais forte depois da reforma.
Enquanto a pessoa física carrega até 27,5% sobre o que recebe, a mesma renda dentro de uma empresa de saúde passa a ser tributada na faixa reduzida do modelo novo, com a possibilidade de distribuir lucro sem imposto adicional.
Para o autônomo que já fatura bem, abrir a PJ médica tende a representar uma economia expressiva.
Leia mais: Médico pode ser MEI?
Médico que presta serviço para hospital vai ter imposto retido na fonte com a reforma tributária?
O médico que presta serviço para hospital pode ter o imposto separado já no momento do pagamento, por causa de um mecanismo novo que a reforma introduz, o split payment.
No modelo tradicional, você emite a nota, recebe o valor cheio e a sua empresa recolhe o imposto depois.
Com a reforma, o IBS e o CBS daquela nota podem ser apartados no instante em que o hospital paga, e enviados ao fisco sem passar pelo caixa da sua PJ.
Isso reduz o valor que entra na conta da empresa de uma vez, porque a parte do imposto já sai separada.
O total que você paga de tributo não aumenta por causa disso, o que muda é o momento em que o dinheiro sai.
O detalhe do funcionamento desse mecanismo vem a seguir.
O que é o split payment e como ele afeta o recebimento do médico?
O split payment é o sistema que separa o imposto no momento do pagamento e o envia ao fisco antes que o dinheiro chegue por inteiro à sua empresa.
A tradução do termo é “pagamento dividido”.
Quando o seu serviço é pago, o valor se reparte em duas trilhas.
Uma parte, o imposto da operação, segue direto para o governo.
A outra parte, o que de fato é a sua receita, cai na conta da PJ.
Para o médico, o efeito principal é no fluxo de caixa.
Você deixa de receber o valor cheio para administrar o imposto depois e passa a receber já com a parte do tributo descontada.
O controle fica mais simples, porque some o risco de gastar um dinheiro que pertencia ao imposto, mas exige adaptar a previsão de caixa ao novo formato de entrada.
O sistema entra de forma gradual ao longo da transição, acompanhando o calendário da reforma.
Qual é o cronograma da reforma tributária e quando ela passa a afetar os médicos?
O cronograma da reforma tributária vai de 2026 a 2033, com a substituição dos impostos antigos acontecendo em etapas, e não de uma vez.
As fases principais para o médico são:
- 2026: ano de teste. O IBS e o CBS entram com alíquota simbólica, perto de 0,9% para o CBS e 0,1% para o IBS, só para ajustar sistemas e notas fiscais. Não há custo extra real para a sua empresa neste ano;
- 2027: o CBS passa a valer de forma plena e o PIS e a Cofins são extintos;
- 2029 a 2032: o IBS sobe gradualmente enquanto o ISS e o ICMS são reduzidos na mesma proporção;
- 2033: o modelo novo entra em vigor completo e os impostos antigos deixam de existir.
Durante todo esse período convivem os dois sistemas, e a contabilidade conduz a apuração em paralelo.
Quem vai abrir CNPJ médico em 2026 deve esperar a reforma para decidir o regime?
Quem vai abrir CNPJ médico em 2026 não precisa esperar a reforma para decidir o regime.
A escolha pode ser feita normalmente, e a reforma entra como mais um fator no cálculo, não como motivo para adiar a abertura.
O que o médico deve fazer agora para se preparar para a reforma tributária?
O médico deve usar 2026 para revisar o regime atual e simular os caminhos com a contabilidade, enquanto a transição ainda está no começo e não há custo novo entrando.
Os movimentos que fazem diferença neste momento são:
- Revisar se o regime atual da PJ continua sendo o mais econômico diante das regras novas;
- Simular a diferença entre manter o pagamento no Simples e recolher o IBS e o CBS por fora, conforme o perfil dos seus clientes;
- Organizar as despesas da empresa que passam a gerar crédito, como aluguel, equipamento e material;
- Acompanhar o prazo de opção que define a forma de recolhimento a partir de 2027.
Essa revisão depende dos seus números reais de faturamento e do tipo de tomador que você atende.
É a conta que a contabilidade especializada faz antes do prazo, para você entrar na transição já no formato que paga menos.
Como a Tactus ajuda médicos a se preparar para a reforma tributária e pagar menos imposto
A Tactus é uma das maiores contabilidades digitais do país e tem área especializada em médicos e profissionais da saúde.
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Acompanhamos a sua empresa durante toda a transição.
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