A promessa de ganhar até R$ 240,00 por dia trabalhando quando quiser atrai muita gente para o mercado de entregas.
Mas vale a pena ser entregador do Mercado Livre quando você coloca na ponta do lápis combustível, manutenção, MEI e todos os outros custos que vêm junto?
Tudo depende da sua situação.
Tem quem fature R$ 5 mil por mês e considere o melhor trabalho que já teve.
Ao mesmo tempo, há quem rode o dia inteiro, gaste metade do faturamento em gasolina e desista em três semanas.
A diferença está em entender como funciona para ser entregador do Mercado Livre, quanto custa operar e se o seu perfil se encaixa nesse modelo.
Por isso, vamos ajudar você a entender os ganhos reais, custos, requisitos obrigatórios e para quem isso realmente compensa.
Como funciona o trabalho de entregador do Mercado Livre?
O Mercado Livre criou o programa Mercado Envios Extra para conectar entregadores autônomos às demandas de entrega da plataforma.
Basicamente, você baixa o aplicativo, aceita rotas disponíveis, retira os pacotes em um ponto de coleta do Mercado Livre e faz as entregas aos clientes.
Existem duas formas principais de trabalhar:
- Diretamente pelo aplicativo Envios Extra;
- Como agregado a uma transportadora parceira.
Pelo app, você tem mais flexibilidade, pois as rotas aparecem no celular com o valor e tempo estimado, e você decide se aceita ou não.
Como agregado, você informa disponibilidade um dia antes e a transportadora escala você para rotas específicas. Se faltar, paga multa.
A rotina é simples: aceita a rota, vai até o ponto de coleta (geralmente um galpão do Mercado Livre), pega os pacotes, segue o percurso sugerido pelo app e confirma cada entrega.
Pacotes não entregues voltam para o hub no final do dia, e você precisa justificar o motivo.
O aplicativo organiza as entregas por percurso e mostra quanto você vai receber antes de aceitar.
Em dias de alta demanda ou datas comemorativas, aparecem bônus adicionais.
Quem faz mais de 80 entregas em um único trajeto também pode ganhar incentivos extras.
Quais são os requisitos para ser entregador do Mercado Livre?
O Mercado Livre estabeleceu requisitos específicos e todos são obrigatórios:
- CNPJ ativo com um dos seguintes CNAEs: 4930-2/01, 4930-2/02, 5320-2/01, 5320-2/02 ou 5229-0/99.
- Veículo com até 15 anos de fabricação, que pode ser seu ou de terceiros. Precisa estar regularizado, com documentação em dia. Motos e carros são aceitos, vans também.
- CNH válida.
- Smartphone Android 5.0 ou superior com internet móvel. iPhone não funciona, o app Envios Extra está disponível apenas para Android.
- Mochila ou baú de no mínimo 80 litros se você for usar moto. Para carro, obviamente não precisa, mas o espaço do porta-malas conta na hora de aceitar rotas maiores.
A conta no Mercado Pago é criada automaticamente quando você se cadastra no Mercado Livre, então essa parte é tranquila.
Entregador do Mercado Livre pode ser MEI?
Sim, entregador do Mercado Livre pode ser MEI, desde que com os CNAEs registrados nas atividades aceitas pelo Mercado Luvre.
Sem o CNPJ, você não consegue nem finalizar o cadastro no aplicativo.
Preciso ter veículo próprio para ser entregador do Mercado Livre?
Não necessariamente. O Mercado Livre aceita que você use veículo de terceiros, desde que tenha a documentação e a CNH em dia.
Lembrando que o veículo precisa ter no máximo 15 anos de fabricação. Um carro 2010 ou moto 2011 ainda servem, mas não por muito tempo.
Quanto ganha um entregador do Mercado Livre por mês?
O Mercado Livre divulga que é possível ganhar até R$ 240,00 por dia, mas esse é o teto, não a média.
Relatos de entregadores apontam para uma faixa mensal entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, dependendo de quantos dias você trabalha, qual veículo usa e principalmente qual região você atende.
Quem usa moto geralmente fatura entre R$ 100,00 e R$ 180,00 por dia.
São rotas menores, com menos pacotes, mas também com menor custo de combustível.
No mês, trabalhando de segunda a sábado, dá entre R$ 2 mil e R$ 4 mil brutos.
Entregadores com carro conseguem rotas maiores, de R$ 150,00 a R$ 300,00 por dia, porque cabem mais pacotes.
O potencial mensal sobe para R$ 3 mil a R$ 6 mil. Mas o combustível de carro também fica mais caro.
Vans entram em rotas de alto volume e podem render mais, mas exigem maior investimento em combustível e manutenção.
Os bônus fazem diferença. Quem consegue fazer mais de 80 entregas em um único percurso recebe adicional.
Em datas como Black Friday, Natal e Dia das Mães, aparecem incentivos extras por cumprir metas.
Como funciona o pagamento do entregador do Mercado Livre?
O pagamento é semanal e cai sempre entre quarta e sexta-feira na sua conta do Mercado Pago.
As entregas que você fez de segunda a domingo são pagas na semana seguinte. Por exemplo: trabalhou de 3 a 9 de fevereiro, recebe entre os dias 12 e 14 de fevereiro.
O dinheiro entra direto na conta Mercado Pago vinculada ao seu cadastro.
De lá, você pode transferir para sua conta bancária (o Mercado Pago não cobra taxa para transferência) ou usar o saldo para pagar contas, fazer compras, pagar o DAS do MEI.
Quais são os custos para trabalhar como entregador?
Alguns dos custos que você deve considerar para entender se vale a pena ser entregador do Mercado Livre:
- Combustível: Uma moto fazendo 30-35 km/l gasta entre R$ 30,00 e R$ 50,00 por dia dependendo da rota. Um carro fazendo 10-12 km/l pode facilmente gastar R$ 80,00 a R$ 120,00 no mesmo período. Se você ganhar R$ 200,00 e gastar R$ 100,00 de combustível, seu lucro já caiu pela metade.
- Manutenção do veículo: Óleo, pneus, freios, correia, tudo isso desgasta mais rápido quando você roda o dia inteiro. Uma moto exige revisão a cada 5.000 km, que pode custar entre R$ 200,00 e R$ 400,00. Num mês rodando 3.000 km, você faz quase duas revisões. Carro é mais caro ainda.
- DAS do MEI sai R$ 75,90 por mês em 2026 (pode variar conforme reajustes). Esse valor é fixo, trabalhe 2 ou 30 dias. Não pagou? Fica inadimplente e pode ter o CNPJ bloqueado.
- Seguro do veículo não é obrigatório, mas sem ele você está correndo risco sozinho. Bater o carro fazendo entrega e não ter seguro pode significar perder o veículo e a fonte de renda ao mesmo tempo. Um seguro básico para moto custa entre R$ 80,00 e R$ 150,00 mensais.
- Equipamentos: mochila térmica ou baú (R$ 300,00 a R$ 800,00), suporte de celular para o guidão/painel (R$ 30,00 a R$ 80,00), power bank porque o GPS e o app drenam bateria (R$ 80,00 a R$ 150,00).
Juntando tudo, um entregador de moto tem custo fixo mensal de pelo menos R$ 800,00 a R$ 1,2 mil.
Quem usa carro pode chegar facilmente a R$ 1,5 mil a R$ 2 mil de custos mensais.
Entregador do Mercado Livre precisa emitir nota fiscal?
Não precisa emitir nota fiscal para o Mercado Livre. A plataforma não exige NF dos entregadores parceiros, apenas que você tenha o CNPJ MEI ativo e regular.
Mas isso não significa que você está livre de obrigações fiscais.
Você continua sendo MEI e precisa pagar o DAS mensalmente. A diferença é que, como você não emite nota, seu faturamento não fica registrado formalmente mês a mês.
Isso pode virar um problema lá na frente se você precisar comprovar renda para financiamento, aluguel ou qualquer outra situação.
Sem notas fiscais emitidas, fica difícil provar quanto você realmente fatura.
Existe uma situação em que você pode precisar emitir nota: se você prestar serviço de entrega para outros clientes além do Mercado Livre.
Digamos que você faça entregas para uma loja local no tempo livre. Aí sim, essa loja pode exigir nota fiscal do serviço.
A Tactus Contabilidade ajuda você a entender suas obrigações como MEI e orienta sobre quando emitir ou não nota fiscal, sempre mantendo tudo regular com a Receita Federal.
Existe número mínimo de entregas por dia no Mercado Livre?
Não existe. Essa é uma das principais vantagens do modelo.
Você escolhe quando quer trabalhar e quantas rotas quer aceitar. Quer fazer só uma entrega no sábado? Pode. Quer rodar segunda a domingo o dia inteiro? Pode também.
Pelo aplicativo Envios Extra, as rotas aparecem e você decide na hora se aceita ou não. Não aceitou nenhuma hoje? Sem problema.
Amanhã você entra de novo e as rotas estarão lá.
No modelo agregado (vinculado a uma transportadora), funciona um pouco diferente. Você informa disponibilidade com um dia de antecedência.
Se você disse que está disponível e a transportadora te escalou, aí você tem compromisso. Faltou? Paga multa de “no show” porque a empresa contava com você para aquela rota.
O que acontece se o entregador danificar um produto?
A responsabilidade é sua. O Mercado Livre deixa isso bem claro nos termos do programa: você é um parceiro autônomo, não um funcionário, então responde pelos danos que causar aos produtos.
Se você derrubar uma caixa e o conteúdo quebrar, o valor pode ser descontado dos seus pagamentos futuros.
Dependendo do produto, isso pode significar R$ 500,00, R$ 1 mil ou mais saindo do que você deveria receber.
Por isso muitos entregadores optam por fazer seguro, mesmo não sendo obrigatório.
O que acontece se o entregador do Mercado Livre for roubado durante a entrega?
Se estava sob sua responsabilidade, você responde. Teve o carro arrombado com os pacotes dentro? Prejuízo seu, não do Mercado Livre.
A melhor prevenção é cuidado mesmo. Não deixar pacotes no carro sem vigilância, organizar bem a carga para nada ficar pressionado, conferir os produtos no momento da coleta.
Parece óbvio, mas muita gente perde dinheiro por descuido.
Vale a pena ser entregador do Mercado Livre?
Depende do que você está buscando e da sua situação atual.
Vale a pena se:
- Você precisa de renda extra e tem algumas horas livres por semana;
- Já tem veículo próprio em boas condições;
- Consegue bancar os custos iniciais (abertura de MEI, equipamentos básicos);
- Não se importa com a instabilidade, pois alguns dias tem demanda, outros não;
- Tem outro trabalho ou fonte de renda como base;
- Gosta de trabalhar sozinho e tem disciplina para se organizar.
Não vale a pena se:
- Você está contando com isso como única fonte de renda sem reserva financeira;
- Vai precisar alugar veículo para começar;
- Não tem como bancar um mês de custos até o negócio engatar;
- Sua região tem pouca demanda de entregas do Mercado Livre;
- Você tem problemas de saúde que podem piorar com o desgaste físico da profissão.
Comparado com outras plataformas como iFood ou Uber, o Mercado Livre tem a vantagem de mostrar o valor da rota antes de aceitar.
No iFood, você aceita a corrida e só depois descobre quanto vai ganhar. Aqui você sabe se vale a pena ou não.
Por outro lado, o iFood tem demanda mais constante ao longo do dia, especialmente em horários de refeição. No Mercado Livre, os picos variam mais.
Como ganhar mais como entregador do Mercado Livre?
Organize as rotas com antecedência. Quando você aceita a rota, o app sugere um percurso, mas nem sempre é o mais eficiente.
Use apps de GPS para conferir se existe caminho melhor que economize tempo e combustível.
Trabalhe nos horários de maior demanda. Manhã cedo (7h às 10h) e começo da tarde (13h às 15h) costumam ter mais rotas disponíveis. Finais de semana também.
Aceite rotas em datas comemorativas, como Black Friday, Natal, Dia das Mães e Dia dos Namorados. Nesses períodos aparecem bônus extras e a demanda dispara.
Mantenha avaliação alta. Cliente reclamou? Tente entender o que aconteceu e ajustar. Avaliação baixa significa menos ofertas de rotas boas. O algoritmo prioriza quem tem histórico positivo.
Use dois celulares se for trabalhar full time. Um para o app do Mercado Livre, outro para emergências e GPS de backup. Bateria acabou no meio da rota? Você perde tempo e dinheiro.
Como a Tactus Contabilidade ajuda entregadores do Mercado Livre a se regularizarem com a menor tributação?
A Tactus atende entregadores de aplicativo que precisam manter a parte fiscal em ordem sem perder tempo com burocracia.
Organizamos os impostos, mantemos as obrigações em dia e evitamos problemas com a Receita Federal.
Muitos entregadores perdem dinheiro pagando imposto errado ou tomam susto com multa porque esqueceram alguma obrigação.
Ter um contador que conhece o mercado de aplicativos faz diferença no quanto sobra no final do mês.
Entre em contato com a Tactus e veja como podemos organizar sua situação fiscal.