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Simples Nacional ou Lucro Presumido: quando cada um compensa

Imagem mostra empresário pensativo, como se estivesse em dúvida entre Simples Nacional ou Lucro Presumido

O regime tributário da sua empresa foi definido lá no começo, quando você abriu o negócio, muitas vezes sem uma simulação com os seus números. 

Depois disso, a conta nunca mais foi revista. 

Você só vai questionar isso quando o faturamento cresce, o imposto sobe e bate a desconfiança de que está pagando mais do que precisaria. 

É aí que vem a dúvida entre Simples Nacional ou Lucro Presumido, porque ela custa mais do que parece. 

A diferença entre acertar e errar o regime passa de dezenas de milhares de reais por ano.

Na Tactus, vemos o mesmo erro se repetir todos os meses: empresa lucrativa presa num regime que não combina com os números dela, pagando imposto à toa porque ninguém nunca refez a conta. 

Por isso, vamos ajudar você a entender as principais diferenças entre Simples Nacional e Lucro Presumido, quando cada um vale a pena e o que muda com a reforma tributária.

Qual a diferença entre o Simples Nacional e o Lucro Presumido?

São duas formas diferentes de calcular e pagar o imposto da empresa:

  1. O Simples Nacional reúne vários impostos em uma guia única por mês e calcula o quanto você paga com base no faturamento, usando uma tabela que sobe conforme a empresa fatura mais. Quanto mais você vende, maior a alíquota.
  2. O Lucro Presumido calcula o imposto sobre uma margem de lucro que a lei presume, independente de quanto a empresa lucra de verdade. Cada imposto é apurado e pago de forma separada, o que exige mais controle.

Leia mais: O que mudou no Lucro Presumido em 2026?

Como o Simples Nacional cobra o imposto?

No Simples Nacional, você paga tudo em uma guia única por mês, chamada de DAS

Dentro dela já estão o imposto de renda, contribuição social, o PIS/COFINS, a parte do INSS que a empresa paga e, na maioria dos casos, o imposto municipal sobre serviço. 

Em vez de calcular cada tributo por fora, você recolhe um valor só.

Essa alíquota sobe conforme o faturamento acumulado da empresa cresce ao longo do ano. 

Comércio entra na tabela mais barata, começando em 4% sobre o faturamento. 

Serviço em geral começa em 6%. 

Já consultoria e algumas profissões regulamentadas caem na tabela mais cara, começando em 15,5%. 

Por isso a conta não se resume a estar no Simples ou não. O que impacta de verdade é o anexo em que o seu serviço se encaixa.

Como o Lucro Presumido cobra o imposto?

No Lucro Presumido, o imposto de renda e a contribuição social são calculados sobre uma margem de lucro que a lei presume, ou seja, um percentual fixo do faturamento que o governo trata como se fosse o seu lucro, mesmo que o real seja diferente. 

Para prestação de serviço, essa margem presumida é de 32%. Para comércio e indústria, de 8%.

Sobre essa base presumida incidem o imposto de renda de 15%, com um adicional de 10% sobre a parte que ultrapassa R$ 60 mil de lucro presumido por trimestre, mais a contribuição social de 9%. 

Além disso, o PIS e a COFINS são pagos por fora, somando 3,65% sobre o faturamento, e a parte do INSS que a empresa paga sobre a folha, de 20%, também é cobrada separada, sem estar embutida em nenhuma guia única.

É um cálculo mais trabalhoso do que o do Simples. Em certos perfis de empresa, sai bem mais barato.

Leia mais: O que muda no Simples Nacional em 2026?

Quais empresas podem optar pelo Lucro Presumido?

O Lucro Presumido aceita empresas que faturam até R$ 78 milhões por ano, um teto muito mais alto do que o do Simples, que é de R$ 4,8 milhões.

De modo geral, ele tende a compensar para negócios com margem de lucro alta e folha de pagamento enxuta, principalmente prestadores de serviço que lucram mais do que os 32% presumidos pela lei. 

Nesses casos, pagar imposto sobre uma margem fixa de 32% pesa menos do que pagar sobre o faturamento cheio nas faixas altas do Simples.

O Simples Nacional é sempre o regime mais barato?

Não, o Simples Nacional não é sempre o mais barato. 

A vantagem do Simples depende de três aspectos principais

  1. O anexo em que a sua atividade se enquadra; 
  2. Tamanho da sua folha de pagamento; 
  3. Sua margem de lucro real. 

Empresa de comércio na tabela mais barata costuma se dar bem no Simples. 

Já prestador de serviço na tabela mais cara, com folha pequena e margem alta, muitas vezes paga menos no Lucro Presumido. 

O nome “Simples” engana, porque sugere uma economia que nem sempre existe.

Leia mais: Como sair do Simples Nacional para o Lucro Presumido

Empresa de serviços paga mais imposto no Simples Nacional?

Depende do tipo de serviço. 

Algumas atividades de serviço entram na tabela mais cara do Simples, que começa em 15,5% sobre o faturamento, caso de consultoria, tecnologia, engenharia, publicidade e várias profissões regulamentadas.

Quando o serviço cai nessa tabela e a empresa tem folha de pagamento pequena, o Lucro Presumido entra forte na disputa, porque a margem presumida de 32% costuma gerar uma conta menor do que a alíquota cheia do Simples nessa faixa. 

É exatamente nesse grupo que mais empresa paga imposto demais sem perceber, por nunca ter comparado os dois regimes.

Como a folha de pagamento influencia a escolha entre os dois regimes?

A folha de pagamento muda o resultado da conta.

No Simples Nacional, a parte do INSS que a empresa paga sobre a folha já está embutida na guia única. Você não recolhe esse valor por fora. 

No Lucro Presumido, esses 20% sobre a folha são cobrados separados, somando ao imposto que você já paga sobre o faturamento.

Por isso, empresa com muitos funcionários tende a se beneficiar mais no Simples, onde esse custo já está dentro da alíquota. 

Quando a folha é pequena ou inexistente, esse peso some da comparação, e o Lucro Presumido fica mais competitivo.

A margem de lucro real muda qual regime compensa?

Muda, e é um dos fatores que mais decidem a escolha. 

No Lucro Presumido, você paga imposto sobre uma margem fixa de 32% (no caso de serviço), não sobre o lucro que a empresa teve de fato.

Se a sua margem real é menor que os 32% presumidos, você paga imposto sobre um lucro que não existiu, ou seja, paga mais do que deveria. 

Se a sua margem real é maior que 32%, a lógica se inverte a seu favor, porque você recolhe imposto sobre uma base menor do que o lucro verdadeiro, e o Lucro Presumido fica mais eficiente. 

Dá para distribuir lucro sem pagar imposto no Lucro Presumido?

No Lucro Presumido bem estruturado, os sócios conseguem retirar parte do lucro além do salário deles (o pró-labore) sem pagar imposto de renda sobre essa retirada. 

Isso sempre foi um dos pontos fortes do regime para quem distribui lucro com frequência.

Uma mudança recente, porém, passou a cobrar imposto sobre a distribuição de lucro acima de R$ 50 mil por mês, ou R$ 600 mil por ano, por sócio que recebe. 

Quem retira valores nessa faixa precisa recalcular o benefício, porque a vantagem da distribuição isenta deixou de ser total para os lucros mais altos. 

Para a maioria das empresas, a isenção segue valendo na parte que fica abaixo desse limite.

O Lucro Presumido exige mais obrigações do que o Simples Nacional?

Sim, o Lucro Presumido dá mais trabalho. 

Em vez de uma guia única por mês, você apura e paga cada imposto de forma separada, com prazos e cálculos próprios, e mantém uma contabilidade mais detalhada.

Essa complexidade maior é o preço de um regime que, em muitos casos, devolve esse esforço em economia de imposto. 

O custo extra de controle se justifica quando o perfil da empresa combina com o Lucro Presumido e a economia supera o trabalho a mais. 

Simples Nacional ou Lucro Presumido: qual sai mais barato em casos reais?

A melhor forma de enxergar isso é com números. Dois exemplos mostram como o resultado se inverte conforme o perfil da empresa.

Caso 1: consultoria faturando R$ 360 mil por ano, com dois sócios e nenhum funcionário. 

No Simples Nacional, nessa atividade e nesse faturamento, a alíquota efetiva fica em torno de 8%, o que dá cerca de R$ 29 mil de imposto no ano

No Lucro Presumido, somando todos os tributos sobre o faturamento, a conta chega a cerca de R$ 48 mil no ano. Nesse caso, o Simples sai quase R$ 19 mil mais barato.

Caso 2: empresa de tecnologia faturando R$ 600 mil por ano, com margem de lucro real de 65%, três sócios e nenhum funcionário. 

No Simples Nacional, por cair na tabela mais cara, a alíquota efetiva fica perto de 20%, o que dá cerca de R$ 120 mil de imposto no ano

No Lucro Presumido, o total fica em torno de R$ 80 mil no ano. Aqui o resultado se inverte, e o Presumido economiza cerca de R$ 40 mil.

São duas empresas que faturam valores parecidos e chegam a respostas opostas. 

O mesmo número não serve para os dois negócios, e essa diferença de R$ 40 mil por ano paga férias, fluxo de caixa ou investimento na operação.

A reforma tributária muda a escolha entre Simples Nacional e Lucro Presumido?

Muda, e esse é um dos motivos para revisar o regime agora. 

A reforma substitui PIS, COFINS, ICMS e ISS por dois novos impostos sobre consumo, o IBS e a CBS, numa transição que vai de 2026 até 2033.

O Simples Nacional continua existindo. O que muda é o crédito que a sua empresa gera para quem compra de você

Empresa no Simples repassa um crédito menor de IBS e CBS para o cliente, e isso reduz a sua competitividade quando você vende para outras empresas, que preferem um fornecedor capaz de dar crédito cheio.

Para contornar isso, o Simples passa a permitir um modelo híbrido, em que você fica no Simples para a maior parte dos impostos, mas recolhe o IBS e a CBS por fora e gera crédito integral para o cliente

Esse caminho ajuda quem vende para outras empresas e muda pouco a vida de quem vende para o consumidor final.

No Lucro Presumido, o IBS e a CBS entram no lugar dos impostos antigos com direito a descontar crédito sobre as compras da empresa

A alíquota cheia é alta, mas parte dela volta em crédito, e o resultado final depende de quanto você compra de insumos e serviços com nota.

Por isso a escolha entre os dois regimes deixou de olhar só para o presente. 

Uma opção vantajosa hoje pode encarecer conforme as novas regras entram em vigor, principalmente se o seu cliente for outra empresa. 

Refazer a conta com quem acompanha a reforma de perto é o que evita ficar preso num caminho mais caro nos próximos anos.

Como a Tactus ajuda a sua empresa a escolher entre Simples Nacional e Lucro Presumido

A Tactus é uma das maiores contabilidades digitais do país, com um modelo em que você fala com pessoas, não com robôs. 

Comparamos Simples Nacional e Lucro Presumido com os números reais da sua empresa: faturamento, atividade, folha de pagamento e margem de lucro.

A simulação mostra qual regime paga menos imposto no seu caso, dentro do prazo de escolha do ano.

Se você desconfia que paga mais imposto do que precisaria, fale com um especialista da Tactus e peça essa simulação com os números da sua empresa.

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Anderson Hernandes

Fundador e CEO da Tactus Contabilidade Digital, tendo 29 anos de experiência em negócios contábeis. É autor de 11 livros e mais de mil eventos realizados. Possui formação em contabilidade, marketing e gestão de negócios.

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